quarta-feira, 11 de abril de 2007

“UNS DIAS DE GARÍ”: PROPOSTAS INUSITADAS NA OFICINA DE EXPEDIÇÃO URBANA

por Arthur Cortes

O que danado é expedição urbana? Ó o título da oficina: “Expedição Urbana, Técnicas Etnográficas Aplicadas ao Jornalismo”, parece coisa de gente chique! Dá pra assustar, né? Mas não esquenta não, a proposta da Professora Doutora Rose de Melo Rocha, que veio lá da PUC/SP em meio a todo esse transtorno aéreo, à convite da Profa. Dra. Josimey Costa, está cheia de vontade para nos ensinar uma nova maneira de percepção das nossas tão “banais” meio em que vivemos – as cidades.

Esse grande mosaico de sensações e sentimentos delimitados no espaço físico chamado “cidade” é o tema dessa oficina que propõe uma “arqueologia contemporânea”, ou seja, verificar fragmentos da sociedade das formas mais diversas e inusitadas como recolher “restos” de resíduos que demonstram um percurso determinada pessoa (ou, o conhecido lixo que se joga nas ruas), coletas de narrativas/depoimentos com perguntas informais, som-ambiente, produção de desenhos e fotografias que demonstra o “olhar” daquilo que nos passa batido na maioria das vezes, ou por falta de interesse, pela pressa ou por nunca ter tido a idéia de investigar. O tema desta oficina, ao contrário dos outros que ela exemplificou, será focado na UFRN e foram divididos grupos de acordo com cada uma das funções citadas.

E temos a nossa disposição para da análise além dos instrumentos de que um bom repórter precisa – câmera, bloco de notas, gravador – também a tão inata habilidade de sentir: a professora Rose sugere que não devemos deixar de observar as texturas, os cheiros, os sons, as cores predominantes, enfim, tudo que podemos captar sem preconceito, algo quase que fisiológico mas tão deixada de lado por nossos pensamentos. É um bom jeito de começar uma vida Zen. Depois, o material recolhido será fixado em Painéis Semânticos, o qual os participantes das oficinas deverão organizar uma narrativa com as informações recolhidas.

Então, se você ver um maluco perguntando algo do tipo “de onde você vem? para onde você vai?” ou catando bitucas de cigarro no Setor II (esse é o meu caso), não estranhem, como a professora Rose nos presenteia com uma citação de Walter Benjamim, “saber orientar-se numa cidade não significa muito; se perder em uma cidade, como em uma floresta, precisa de alguém para lhe orientar”. Nesse caso, a professora está sendo bem-sucedida ao nos mostrarmos “o caminho da toca do coelho”.

2 comentários:

lamonier disse...

Muito interessante a oficina...

Priscila Adélia disse...

Foi do caralho!